Em um planeta pressionado pela urgência climática, a triticultura brasileira quer avançar rumo à economia de baixo carbono. Coordenado pela Embrapa Trigo, sediada em Passo Fundo, o Programa Trigo Baixo Carbono busca desenvolver um protocolo de certificação de agricultores comprometidos com a redução das emissões de gases do efeito estufa. O projeto resultará na emissão de uma espécie de selo para valorizar as propriedades rurais que conseguirem aliar eficiência a práticas sustentáveis na produção de trigo.
Segundo a Embrapa, a iniciativa segue o modelo dos programas de baixo carbono conduzidos pela empresa nas cadeias produtivas da soja, do milho e da carne e será financiada por meio de parceria público-privada. No período de 2026 a 2030, terá a participação das cooperativas Cotriguaçu (Cascavel, PR) e Cotrijal (Não-Me-Toque), da indústria de biocombustíveis Be8 (Passo Fundo) e da empresa de soluções agrícolas UPL Brasil (Campinas, SP). No projeto, serão gerados indicadores científicos para mensurar e informar as emissões de CO2 na triticultura em diferentes regiões do Brasil. Isso possibilitará a atribuição da marca-conceito Trigo Baixo Carbono (TBC), agregando valor ao trigo produzido com uso de tecnologias que reduzem o potencial de aquecimento global por tonelada de grãos.
Abertura de mercado
A pesquisadora da Embrapa Trigo Vanderlise Giongo diz que o programa ajudará a posicionar a triticultura brasileira, com impactos positivos na comercialização e abertura de mercados internacionais.
“Quando não conhecemos a pegada de carbono, a pegada hídrica, outros indicadores ambientais de um produto, ele pode ficar às margens de algum posicionamento negocial. Então, usamos uma metodologia em que você informa a pegada dos produtos”, explica.
Mais do que boas práticas ambientais, segundo a pesquisadora, o programa oferecerá um termômetro do desempenho no campo, ao integrar diferentes linhas de pesquisa e soluções em todas as etapas da produção de trigo, desde a adoção de cultivares mais produtivas a técnicas de adubação menos agressivas ao ambiente.
“Quando você fala em baixo carbono, ele é uma medida de eficiência do sistema. A gente vai compondo soluções que levam ao melhor desempenho ambiental, mas ele é uma consequência de um bom desempenho tecnológico e econômico também, reduzindo os custos ou aumentando a produtividade, ou ambos”, afirma Vanderlise.
O projeto, destaca a pesquisadora, baseia-se na visão de um ecossistema de inovação que envolve o trigo além da lavoura, no qual são contempladas também as necessidades mercadológicas de todos os segmentos que operam com o cereal, como as indústrias de panificação, rações animais e biodiesel.
“Conhecendo toda essa potência das multifuncionalidades do trigo, você consegue posicioná-lo de uma melhor maneira. E isso tudo traz benefícios para o produtor. Temos um valor atribuído para o trigo, que demonstra o quão competitiva pode ser a triticultura brasileira”, diz Vanderlise.
