Arroz: saca oscila entre R$ 48 e R$ 54 em meio a incertezas na safra

A divulgação feita na última semana pelo Instituto Rio Grandense do Arroz aponta uma redução na área plantada de arroz na safra atual no Rio Grande do Sul. O número, que no início da temporada era projetado em 920 mil hectares, agora é estimado em pouco mais de 890 mil hectares — abaixo também dos 970,19 mil hectares cultivados no ciclo anterior. O ajuste, somado ao bom desempenho das exportações em janeiro, pode trazer algum alento aos produtores.

A avaliação é do consultor e analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira. Segundo ele, ainda será necessário aguardar a reação do mercado nas próximas semanas para medir o impacto efetivo da redução de área.

Atualmente, a média da saca de 50 quilos no Estado, responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, encerrou a quinta-feira (12) cotada a R$ 54,69. O valor representa alta de 2,26% em relação à semana anterior e avanço de 4,42% frente a janeiro. No entanto, na comparação com o mesmo período de 2025, há uma desvalorização expressiva de 44,32%.

Outro fator que influencia o cenário é a produtividade. Apesar da ocorrência de La Niña de fraca intensidade para neutro, o clima foi considerado complexo ao longo da temporada, com períodos de temperaturas elevadas, excesso de chuvas e até frentes frias que provocaram estresse pontual em algumas regiões produtoras.

Além disso, dificuldades de acesso ao crédito levaram produtores a reduzir investimentos em tecnologia, incluindo menor uso de fertilizantes e defensivos. Isso deve refletir em queda nas produtividades médias.

Nas últimas safras, o Rio Grande do Sul registrou produtividades excepcionais, superando 9 mil quilos por hectare. Para esta temporada, a estimativa é de retorno a patamares mais próximos da média histórica, em torno de 8.500 quilos por hectare.

A produção nacional deve ficar próxima de 10,5 milhões de toneladas, volume semelhante ao consumo interno. “Uma safra próxima ao consumo significa estar mais perto do ponto de equilíbrio, o que tende a representar um bom resultado”, explica Oliveira.

A expectativa do setor está voltada para o período pós-Carnaval, quando o mercado deverá dar sinais mais claros sobre a tendência das cotações. A previsão é de volatilidade moderada, sem movimentos extremos. Um piso entre R$ 48 e R$ 50 por saca é projetado caso haja desaceleração nas exportações. O dólar abaixo de R$ 5,20 dificulta a competitividade externa e favorece as importações, especialmente neste momento em que o Paraguai e outros países do Mercosul avançam na colheita.

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