O mercado de trigo no Sul do Brasil mantém movimento de recuperação nos preços, com negociações ainda pontuais e foco crescente em contratos futuros. De acordo com a TF Agroeconômica, o cenário reflete a busca dos moinhos por abastecimento em meio à oferta restrita de trigo de melhor qualidade.
No Rio Grande do Sul, os preços voltaram a reagir, com moinhos pagando entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, variando conforme o prazo de entrega. Negócios para maio já indicam valores mais firmes. A avaliação predominante é de que os níveis mais baixos dificilmente retornarão, diante da escassez de trigo de qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse contexto, os lotes superiores ainda disponíveis tendem a alcançar maior valorização. O preço ao produtor também subiu, chegando a R$ 57,00 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, o mercado segue dependente do trigo gaúcho, com nova elevação nos preços impulsionada principalmente pelo custo do frete. As negociações giram em torno de R$ 1.310 a R$ 1.315 por tonelada CIF, enquanto o produto local aparece próximo de R$ 1.300 CIF. O aumento dos custos levou reajustes médios de cerca de 3% nos preços das farinhas, com aceitação do mercado. A oferta de trigo branqueador permanece limitada, com prêmios relevantes, enquanto parte dos lotes disponíveis apresenta qualidade inferior para panificação.
No Paraná, o mercado permanece firme, porém com ritmo mais lento de negociações. Os moinhos seguem ativos na busca por trigo de maior qualidade, priorizando entregas a partir de abril. Os preços variam entre R$ 1.300 e R$ 1.400 por tonelada, dependendo da região, com negociações concentradas em faixas intermediárias. A menor movimentação também reflete o foco dos produtores na colheita de soja e milho.
No mercado internacional, a procura por trigo de qualidade segue aquecida, com produto argentino acima de 12% de proteína ofertado a cerca de US$ 295 por tonelada, enquanto o trigo paraguaio gira em torno de US$ 260 CIF no Paraná.
