A colheita de trigo avança no Sul do Brasil, mas os problemas de qualidade dos grãos dificultam a comercialização e ampliam a concorrência do produto importado. Segundo a TF Agroeconômica, o mercado registra negócios pontuais, diferenças expressivas de preços conforme a classificação e maior pressão sobre as cotações no Rio Grande do Sul.
No estado gaúcho, as negociações de trigo novo aumentaram em relação às duas semanas anteriores, embora continuem pouco expressivas. Os negócios ocorrem a R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto alguns moinhos já sinalizam R$ 1.350 FOB e até R$ 1.480 CIF. Em Panambi, o preço de balcão caiu R$ 2, para R$ 73 por saca. A concorrência argentina também pesa: em Porto Alegre, o cereal importado foi cotado a US$ 320 por tonelada. Para o trigo destinado à ração, a indicação de exportação é de R$ 1.100 por tonelada, sobre rodas no porto.
Em Santa Catarina, a escassez de cereal com qualidade industrial leva os moinhos a buscar alternativas fora do estado. Um moinho relata dificuldades para adquirir lotes adequados, inclusive no Paraguai, além de reajuste de 11,5% nos preços das farinhas. A Epagri projeta queda de 35% na área plantada e de 2,5% na produtividade da safra 2026/27, com produção estimada em 243 mil toneladas, 37% abaixo da temporada anterior.
No Paraná, o trigo brotado nas lavouras dificulta encontrar produto tipo 1. As indicações chegam a R$ 1.650 por tonelada para o tipo 1, R$ 1.450 para o tipo 2 e R$ 1.300 para o tipo 3. Enquanto o trigo para ração encontra compradores para exportação entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada no porto, o cereal argentino da nova safra é ofertado entre US$ 315 e US$ 320 por tonelada, com embarque em dezembro.
