Juros caem, mas novos cortes ainda são incertos

A política monetária brasileira entrou em uma nova etapa de flexibilização, mas o ritmo dos próximos movimentos ainda dependerá da evolução da inflação e da atividade econômica. Segundo análise do Rabobank, o Comitê de Política Monetária decidiu de forma unânime reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, em linha com a expectativa da instituição e do mercado.

Na avaliação do banco, o comunicado divulgado após a decisão trouxe poucas mudanças em relação ao texto da reunião de agosto. A principal alteração foi a percepção de sinais mais claros de moderação da atividade econômica e da inflação, embora a economia continue resiliente e os preços permaneçam acima da meta.

O Copom também evitou antecipar os próximos passos da política monetária. A indicação é de que novas decisões dependerão dos dados e da confirmação dos efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo. A projeção de inflação do Comitê para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária, permaneceu em 3,2%.

As expectativas dos agentes econômicos apresentaram movimentos distintos. Para 2026, a projeção caiu de 5,0% para 4,9%. Para 2027, subiu de 4,2% para 4,3%, enquanto a estimativa para 2028 permaneceu em 3,8%.

Diante do cenário de incerteza, o Rabobank avalia que a Selic pode ter como piso 13,50% na reunião de novembro. Mesmo assim, a instituição mantém a expectativa de que não haverá novos cortes em 2026. A projeção é de retomada do ciclo apenas em março de 2027, com a taxa básica chegando a 12,00% ao fim daquele ano.

Novos sinais sobre a condução da política monetária poderão surgir com a divulgação da ata da reunião, em 22 de setembro, e do Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, previsto para 24 de setembro.



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