O preço do arroz em casca registrou forte recuperação no Rio Grande do Sul em agosto, impulsionado pela menor disponibilidade do cereal e pela necessidade das indústrias de recompor estoques. De acordo com dados da Agromensal do Cepea, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS chegou a R$ 74,24 por saca de 50 quilos, alta de 15,65% frente aos R$ 64,20 registrados em julho.
O movimento de valorização ganhou força nas primeiras semanas do mês. Produtores consultados pelo Cepea disponibilizaram poucos lotes e mantiveram as pedidas firmes, enquanto compradores encontraram dificuldades para recompor os estoques e, em alguns momentos, precisaram elevar as ofertas para estimular novas vendas.
A restrição de matéria-prima chegou a afetar a atividade das indústrias. Segundo a Agromensal, houve casos pontuais de empresas que suspenderam temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir volume suficiente para atender novos pedidos. Mesmo com compradores aceitando preços mais altos em algumas negociações, a liquidez permaneceu limitada pela menor disposição dos produtores em comercializar.
Com o avanço das cotações, porém, aumentou a resistência das indústrias a novos reajustes. A dificuldade para repassar a valorização da matéria-prima ao arroz beneficiado reduziu o espaço para elevação das ofertas de compra e voltou a ampliar a diferença entre os valores pretendidos por produtores e compradores.
Na reta final de agosto, houve maior disponibilidade do cereal em parte das regiões acompanhadas, inclusive com fechamento de lotes maiores. Ainda assim, os preços não recuaram. De acordo com o Cepea, a demanda externa ganhou importância no período, principalmente nas proximidades do Porto de Rio Grande, onde o interesse por determinados lotes ajudou a manter as cotações sustentadas.
Em áreas mais distantes do porto, o custo do frete dificultou parte dos negócios. A localização dos lotes e as despesas logísticas passaram a influenciar diretamente a viabilidade das operações, mesmo em situações de interesse comprador.
A valorização foi observada em todas as seis microrregiões que compõem o Indicador. A maior alta ocorreu na Depressão Central, de 17,54%, levando a média para R$ 70,24 por saca. Na Campanha, o avanço foi de 16,74%, para R$ 73,07, enquanto a Fronteira Oeste registrou valorização de 16,50%, com média de R$ 74,78.
Na Planície Costeira Interna, o preço médio atingiu R$ 76,16 por saca, alta de 14,54%. A Zona Sul registrou avanço de 13,86%, para R$ 75,52, e a Planície Costeira Externa teve valorização de 13,60%, com média de R$ 73,78 por saca.
As chuvas também interferiram no mercado durante agosto. A Agromensal aponta dificuldades para carregamentos e transporte do cereal em algumas regiões, além de interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica. As precipitações ainda limitaram os trabalhos de preparo do solo em determinadas áreas e aumentaram as preocupações com a implantação da safra 2026/27.
Enquanto o arroz em casca se valorizou no mercado gaúcho, os preços ao consumidor seguiram em direção oposta. Dados do IPCA-15, divulgados pelo IBGE e apresentados na Agromensal do Cepea, mostram queda de 0,81% no preço do arroz na coleta realizada entre 17 de junho e 15 de julho. Em 12 meses, o recuo acumulado chegou a 15,06% na média nacional.
