O mercado de trigo no Sul do Brasil atravessa um período de menor liquidez, alta nos preços e preocupação crescente com a qualidade da nova safra diante do excesso de chuvas. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário também reforça a necessidade de importações para complementar o abastecimento da indústria, principalmente no Rio Grande do Sul.
No mercado gaúcho, os negócios seguem pontuais. Moinhos que precisam comprar indicam cerca de R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto vendedores pedem R$ 1.500 e, em Vacaria, até R$ 1.600. Algumas operações foram registradas a R$ 1.450. Em Panambi, o preço de balcão subiu para R$ 71 por saca.
As chuvas voltaram a preocupar as lavouras. A avaliação aponta 15% das áreas em condição excelente, 82% entre boas e medianas e 3% ruins ou com perdas irreversíveis. Os primeiros lotes apresentam problemas de giberela, com risco de menor rendimento, perda de qualidade industrial e presença elevada de DON.
O estado teria cerca de 70 mil toneladas ainda disponíveis e precisaria importar volume semelhante para atender à moagem até a próxima safra. Com reserva técnica, a necessidade poderia chegar a três cargas de navios handy size. Tradings consultadas sinalizam novas importações antes da colheita.
Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos e concentram-se no recebimento de compras já realizadas. Negócios pontuais ocorreram a R$ 1.520 por tonelada FOB, enquanto vendedores mostram resistência diante da expectativa de valorização.
No Paraná, a deterioração da qualidade é mais intensa. Moinhos do Norte e Oeste recebem lotes com peso hectolítrico de 72 a 73 e falling number de até 200. Brusone, giberela e novas chuvas aumentam a oscilação de parâmetros como PH, força do glúten e falling number.
