Milho registra perdas nos portos brasileiros

A possibilidade de novas quedas nos preços do milho tem levado produtores brasileiros a flexibilizar as condições de venda, enquanto compradores mantêm uma postura cautelosa nas negociações. O movimento ocorre em um mercado marcado pela elevada disponibilidade do cereal e pela redução dos valores praticados tanto no interior do País quanto nos portos, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A pressão sobre as cotações também vem do mercado externo. A desvalorização do dólar, combinada ao recuo dos preços internacionais do milho, diminuiu a paridade de exportação e enfraqueceu a sustentação dos valores domésticos. Nos portos, o impacto foi mais expressivo, acompanhando as perdas registradas nos contratos futuros e na moeda norte-americana na última semana.

No mercado interno, a expectativa de oferta favorável para os próximos meses tem influenciado o comportamento dos compradores. Segundo pesquisadores do Cepea, os agentes acompanham o avanço da semeadura, que mantém um ritmo considerado satisfatório, mesmo diante dos elevados volumes de chuva nas regiões de cultivo.

O andamento dos trabalhos no campo contribui para preservar as perspectivas positivas de disponibilidade do cereal, reduzindo a disposição dos compradores em assumir novos compromissos comerciais neste momento.

Entre os produtores, a preocupação com a continuidade da desvalorização tem provocado ajustes na estratégia de comercialização. Parte dos vendedores demonstra maior flexibilidade nas negociações, seja para antecipar operações diante do risco de preços ainda menores, seja pela necessidade de gerar recursos financeiros.

A diferença na intensidade das quedas entre o mercado interno e os portos evidencia a influência das condições externas sobre a formação dos preços. Enquanto a oferta elevada mantém as cotações domésticas pressionadas, o comportamento do dólar e dos contratos futuros amplia o recuo dos valores destinados à exportação.

Chamar no Whatsapp