Entenda por que tarifaço preocupa citricultor brasileiro mesmo após isenção do suco de laranja

Os contratos que envolvem a laranja da safra 2025/26 seguem em ritmo lento. A observação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) do campus da USP em Piracicaba (SP). O motivo para o receio recai, em partes, pelas incertezas geradas pelo tarifaço de Trump. Entenda cenário, abaixo.

Diferente do que era comum ocorrer logo no fim da safra, os citricultores consultados demonstram cautela antes de fechar negócios.

  • Mas se o suco de laranja foi um dos produtos excluídos da lista de itens brasileiros taxados, por que os agentes do setor seguem incertos?

O Cepea explica que, embora o suco de laranja brasileiro tenha sido excluído da aplicação da sobretaxa de 40% dos EUA, subprodutos fundamentais da cadeia, como óleos essenciais e células cítricas, ainda seguem taxados em 50%.

Em anos anteriores, os contratos já eram fechados no primeiro semestre e, em 2025, estão sendo postergados, sobretudo por conta da safra tardia, dos preços em queda após março e, mais recentemente, pelas incertezas quanto ao tarifaço norte-americano.

"Os citricultores ainda aguardam uma movimentação mais consistente por parte da indústria, que continua ajustando os valores no spot e prefere acompanhar as evoluções de oferta e demanda antes de definir novos acordos", aponta o Cepea.

Menor volume exportado

O volume de suco de laranja exportado pelo Brasil na safra 2024/25, finalizada em junho deste ano, foi o menor em quase 30 anos, mas a receita com os embarques foi recorde. O futuro do setor de citrus, no entanto, segue incerto. Agentes do mercado nacional demonstram incerteza quando o assunto é o o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. - Entenda mais, abaixo.

Na comparação com a safra anterior, a receita cresceu 28,4%, totalizando US$ 3,48 bilhões, conforme dados do boletim do Cepea.

Oferta restrita: apesar do cenário de incerteza quanto à recuperação plena do consumo externo de suco e de uma safra 'turbulenta', nas palavras dos pesquisadores da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq-USP), o impacto da elevação de 10% nas tarifas foi minimizado pela oferta restrita do Brasil, que sustentou os embarques.

Carta de Trump ao Brasil tem a tarifa mais alta

Agentes do setor de citricultura, consultados pelo Cepea, demonstraram receio de que demanda internacional não se restabeleça completamente.

"Ora devido à estagnação do consumo, ora pelos efeitos ainda indefinidos dos aumentos tarifários implementados pelo governo Trump sobre produtos brasileiros", analisam.

"No entanto, permanece incerta a magnitude dos efeitos de um possível aumento tarifário para patamares de até 50% sobre o suco de laranja, especialmente diante da perspectiva de maior produção nacional nas próximas temporadas", destacam.

Assim, ainda conforme o Centro de Pesquisas, o acúmulo de divisas oriundas das exportações na temporada 2024/25 foi extremamente favorável, permitindo ao setor uma capitalização importante frente aos desafios futuros.

Suco de laranja tem menor volume exportado na safra 24/25, mas atinge receita recorde 

Preço do suco de laranja nos EUA

Os EUA tornaram-se mais dependentes das importações de suco de laranja nos últimos anos devido a um declínio acentuado na produção doméstica, por causa de furacões, períodos de temperaturas muito baixas e da doença greening.

O greening afeta os pomares e diminui a qualidade e a produtividade da fruta. O estado da Flórida é o mais afetado. Ele representa 90% do suco de laranja americano. Os prejuízos por lá causaram uma retração de 28% na produção do país na safra 2024/2025.

Os preços do suco de laranja vêm enfrentando altas seguidas. A lata de 473 ml atingiu o preço recorde de US$ 4,49 em fevereiro deste ano (equivalente a R$ 24,84).



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