Trigo pode ficar mais caro no Sul do país

O mercado de trigo no Sul do país segue firme, com baixa disponibilidade de produto de melhor qualidade e maior cautela nas negociações, enquanto a safra nova começa a influenciar as expectativas de preços. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário combina negócios pontuais, pedidos mais elevados e preocupação com a redução de área prevista para o novo ciclo.

No Rio Grande do Sul, a semana foi mais movimentada para o trigo de boa qualidade. Os negócios ocorreram na faixa de R$ 1.450 por tonelada para o branqueador, enquanto o trigo pão teve referências de R$ 1.350 para julho e R$ 1.370 para agosto. Para a safra nova, a redução de área levou vendedores a elevarem as pedidas, com ofertas a R$ 1.500 por tonelada FOB para setembro, embora não tenham sido registrados negócios nesse nível. Junho está praticamente coberto pelos moinhos, que devem buscar apenas oportunidades, enquanto julho é estimado em cerca de 40% coberto. No balcão, o preço ao produtor voltou a subir, chegando a R$ 66 por saca em Panambi.

A semeadura gaúcha está em fase inicial, favorecida pelo tempo seco nas operações de manejo, dessecação e preparo das áreas. Em algumas regiões, porém, a baixa umidade do solo limitou o estabelecimento das primeiras lavouras, levando produtores a aguardar chuvas mais regulares. A safra 2026 deve ter redução expressiva de área, diante de custos elevados, baixa atratividade econômica e maior percepção de risco produtivo.

Em Santa Catarina, os preços seguem influenciados pelo frete, principal fator de diferença entre origens. O trigo local subiu para R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto as ofertas do Paraná ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350. A expectativa de menor produção e maior necessidade de importações pode aproximar os preços internos da paridade internacional, favorecendo quem manteve o plantio.

No Paraná, a escassez de matéria-prima de boa qualidade sustenta preços elevados. As ofertas são poucas, com vendedores buscando R$ 1.500 por tonelada, enquanto os últimos negócios conhecidos ocorreram a R$ 1.400 FOB no norte do estado. Para a safra nova, as referências ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB para setembro, com expectativa de alta.

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