O mercado da soja apresentou comportamentos diferentes entre as regiões produtoras do Brasil na quarta-feira (7). Enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram maior movimentação nas negociações, outras regiões mantiveram uma postura cautelosa diante da divulgação do relatório de Oferta e Demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para sexta-feira (9). Segundo análise feita pela Grão Direto, os prêmios de exportação subiram, mesmo com a pressão sobre as cotações na Bolsa de Chicago, influenciada pelo avanço da colheita norte-americana.
A Grainsights, a inteligência de mercado da Grão Direto, aponta que o mercado brasileiro apresentou maior disposição para negócios na região Sul. Produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina aproveitaram os preços disponíveis e a maior estabilidade do câmbio para realizar vendas. Nos demais estados acompanhados, a movimentação foi mais limitada, com parte dos vendedores preferindo aguardar novas informações antes de negociar.
No Paraná, a soja FOB em Ponta Grossa encerrou a quarta-feira cotada a R$ 149,59 por saca, para novembro de 2026. O município registrou um prêmio positivo de R$ 6,04 por saca, o maior entre as localidades apresentadas no levantamento. Esse prêmio, também chamado de basis, representa a diferença utilizada como referência na formação do preço local. A região conta com acesso ao corredor de transporte rodoviário e ferroviário que liga o interior aos portos do Sul, característica destacada na análise da Grainsights.
Em Mato Grosso, o mercado apresentou movimentação moderada, com vendedores mais cautelosos. Em Mato Grosso do Sul, a atividade comercial foi menor, enquanto Minas Gerais, Goiás e São Paulo tiveram negociações pontuais. O levantamento também aponta diferenças no avanço do plantio. Em partes de Mato Grosso, a irregularidade das chuvas interrompeu os trabalhos no campo, enquanto outras áreas conseguiram avançar. Em Mato Grosso do Sul, o plantio progrediu nas regiões Centro e Sul, mas permaneceu atrasado no Norte do estado.
No mercado internacional, a proximidade da divulgação do relatório WASDE, do USDA, contribuiu para um ambiente de espera. O documento, previsto para 9 de outubro, reúne informações sobre oferta e demanda agrícola e é acompanhado pelos participantes do mercado. A análise da Grainsights aponta expectativa de redução nas estimativas dos estoques norte-americanos. Caso essa revisão se confirme, poderá favorecer uma recuperação das cotações em Chicago, que vêm sofrendo pressão com o andamento da colheita nos Estados Unidos.
Outro ponto acompanhado pelo setor é o câmbio, com o dólar novamente acima de R$ 5,00. Ao mesmo tempo, a valorização dos prêmios de exportação indica maior sustentação dos preços nos portos, apesar do comportamento de Chicago. Para os próximos dias, o levantamento da Grainsights destaca a divulgação dos novos números do USDA, a reação do dólar e a regularidade das chuvas em Mato Grosso como fatores a serem observados pelo mercado.
